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A Eletroquimioterapia é uma nova modalidade de terapia de controle local para neoplasias sólidas. A administração do agente antineoplásico posteriormente à realização da eletroporação no tumor são os princípios da técnica. Suas principais características são os poucos efeitos colaterais, não promover mutilações na maioria dos casos em que se aplica, além de não mostrar diminuição em sua eficiência frente a reaplicações em possíveis recidivas. Os tratamentos de câncer atualmente disponíveis podem ser divididos em diferentes categorias, de acordo com seus objetivos e modos de ação. Freqüentemente são utilizados como tratamento único ou combinados. As três principais categorias de tratamentos são a cirurgia, a radioterapia, que são tratamentos localizados, e a quimioterapia, uma modalidade sistêmica. Dentre essas opções de tratamento, os efeitos colaterais tardios e graduais, o potencial oncogênico e o custo alto são os principais inconvenientes da radioterapia, e os necessários procedimentos mutuantes e desfigurantes constituem-se nas principais limitações da cirurgia . Já o tratamento com fármacos antineoplásicos apresenta principalmente limitações de toxicidade, relacionadas a sua inespecificidade por células tumorais e às altas doses requeridas, o que tem incentivado o desenvolvimento de novos mecanismos para facilitar a entrada do fármaco na célula.

Fundamentos da Eletroporação:
Quando uma célula é submetida a um campo elétrico, uma diferença de potencial transmembrana é induzida em sua membrana. Se essa voltagem transmembrana induzida atingir determinados valores, começa-se a observar aumento de permeabilidade. Esse fenômeno é denominado eletroporação ou eletropermeabilização . Os poros são inicialmente gerados onde o campo elétrico induzido superar a diferença de potencial transmembrana, descrita como sendo aproximadamente 200mV para células eucarióticas. A intensidade do campo induzido determinará a área de eletroporação, e o tempo de duração e o número de pulsos definirão o tamanho do poro. A eletroporação está fortemente relaciona da com o padrão de amplitude, a duração, a freqüência, o número e a formado pulso elétrico aplicado. Os poros formados pelo campo elétrico aplicado poderão ser reversíveis, mantendo a viabilidade da célula após a aplicação. Se os valores de amplitude e duração excederem determinados padrões de pulso elétrico suportáveis pela membrana os poros se tomam irreversíveis, desencadeando a morte da célula. Os poros formados pela eletroporação permitem que moléculas de peso molecular com valores acima de 30.000 Da, normalmente não permeáveis, penetrem na célula . Enquanto a formação dos poros se dá quase que imediatamente à aplicação do campo elétrico, seu fechamento pode demorar de alguns segundos a minutos. A exposição de tecidos ao campo elétrico na eletroporação também promove outros fenômenos, como uma transiente diminuição do fluxo sangüíneo, possibilitando um maior tempo para penetração do fármaco pelos poros formados. Isso proporciona maior concentração intra celular do fármaco circulante no tecido exposto.

Eletroquimioterapia

À combinação de quimioterapia sucedida de eletroporação denominou-se eletroquimioterapia, uma nova modalidade de terapia antineoplásica. O processo consiste em potencializar a ação de um fármaco, antes com baixa ou nenhuma permeabilidade na membrana da célula, através do fenômeno de eletroporação. A bleomicina, um fármaco de alto poder citotóxico intrínseco porém impermeável à membrana, teve, in vitro, seu efeito aumentado cerca de 8.000 vezes com a eletroporação. Esse fármaco, sem eletroporação, é intemalizada na célula por endocitose mediada por proteína carreadora. Dessa forma, seu transporte para dentro da célula depende da quantidade de exposição de tais proteínas na membrana celular, e da velocidade com que elas são endocitadas. Outro fármaco também utilizado em eletroquimioterapia é a cisplatina, que é pouco permeável à membrana e, in vitro, teve seu efeito potencializado cerca de 80 vezes com a eletroporação. A eletroquimioterapia é uma técnica de tratamento localizado de diversos tipos de tumores sólidos, sejam eles cutâneos ou subcutâneos. Pelas bases físico-químicas descritas anteriormente pode-se notar que, teoricamente, o tratamento é eficiente em todos os tumores em que se consiga realizar o procedimento.

Os efeitos colaterais mais comuns da eletroquimioterapia são as contrações musculares involuntárias no local de aplicação dos pulsos elétricos, que cessam imediatamente ao final destes.

Após as sessões, a maioria dos animais apresenta comportamento normal e ausência de sinais de dor. Reação inflamatória local — com discreto eritema no tecido normal adjacente —, e formação de crosta superficial podem ser observadas nos primeiros dias após a aplicação. Em tumores maiores, algumas vezes verificam-se ulcerações do nódulo neoplásico, podendo ocorrer necrose de tecido neoplásico.